O longevo diretor/ator/produtor norte-americano é um dos poucos que consegue manter em seus filmes o tal vigor. Cada tomada contém mais sangue nos "zóio" do que toda a filmografia de Michael Bay (Transformers I e II, Pearl Harbor e Independence Day entre outras bombas) ou ainda que Alejandro Gonzáles Iñarritu (Babel e 21 Gramas), só pra não fazer a covardia de colocar Bay diante de Eastwood sozinho. Iñarritu é um especialista em ações descontruídas de continuidade e adora tocar no tema da globalização e os choques culturais que ela traz. Nada que chegue aos pés do enxuto, objetivo e simples "Gran Torino". Eastwood conhece cinema. Sabe que cada cena tem que chegar a algum lugar e não enrola nem faz firulas de edição e de roteiro. Como ator, se escala em papéis em que é difícil imaginar que o velho Clint está realmente interpretando e o faz com tanta perfeição que podemos imaginar o diretor grunindo para os atores como seu Walt Kowalsky o faz para todo mundo nesse seu último longa (a verdade é que Eastwood é tido como um gentleman por toda indústria). Os suaves movimentos de camera que utiliza dizem mais que mil cameras tremidas moderninhas que infestam as telas. A fotografia clássica de Tom Stern flui com clareza e não precisa de incontáveis semi-tons de sépia para se impor. Por fim, um elenco não-americano afiado e à vontade diante da presença imponente de Eastwood garantem a credibilidade do longa.
Clint ainda tem um grande mérito como autor. É um cara pra lá de produtivo. Uma espécie de Woody Allen do drama que não se incomoda com estratégias de marketing para lançar seus filmes no que seria a época certa para o Oscar. Gran Torino saiu no primeiro semestre, longe da temporada "oscarizável" do fim de ano. Dificilemente vai passar sem um par de indicações e, se existir uma justiça como a de Kowalsky, levar todas.