Ainda quente nas prateleiras das locadoras está a comédia "Eu te amo, cara", do diretor John Hamburg. Trata-se de uma película leve, descomplicada, alto astral mas que, ainda assim, toca (no bom sentido, e nesse filme os sentidos são importantes) num ponto interessante acerca desse mundão moderno de Steve Jobs: como se relaciona o macho da espécie. Deixe de lado os metrossexuais e os homofóbicos. Passe por cima dos fundamentalistas e dos liberais de pé no chão saudosos de hippismo puro e defumado. O macho da espécie se encurralou. Sozinho com seu futebol, sua cerveja e seu amendoim japonês, ele assiste o silencioso avançar dos tempos modernos que condenam sua tosca existência ao porão das grosserias. E o que é pior: sozinho.
O termo "bromance" é a expressão usada nos States pra definir a amizade entre os machos da espécie, onde as regras andam embaçadas pelo politicamente correto e o pequeno ser homofóbico que existe em cada um de nós. Vem de brother romance, obviamente. Neste engraçado filme lançado no primeiro semestre, um corretor prestes a se casar não encontra um amigo de infância, ou mesmo um recente para ser seu padrinho na cerimônia. Sua busca por um "novo melhor amigo" em nada se difere das comédias românticas onde a mocinha busca o principe e, geralmente, o encontra no seu suposto nêmesis. Nesse caso, ele já encontrou o amor. Sua noiva é um poço sem fim de compreensão, linda e apaixonada como geralmente são as mocinhas no fim de filme. O problema é que isso suprime dele (aliás, Paul Rudd variando o mesmo tom com competência) a sua parte tosca, suja e divertida chamada masculinidade, no sentido Carlos Maçaranduba de ser.
Falar mais estraga o filme e a piada. Abaixo segue o trailer.