Quando Philip Petit transefere o peso do seu corpo do pé direito, que se encontra no topo do World Trade Center, para o esquerdo, apoiado num cabo de aço conectado à segunda torre, todos os presentes prendem a respiração. E os espectadores do enxuto e empolgante filme “O equilibrista” (Mano on wire) sentem o mesmo. E olha que estes já sabem que ele sai dali ileso. Mas sua façanha é algo tão despropositado, tão sem lógica e tão arriscado, que é daí que surge a sua beleza.
Dirigido por James Marsh, o filme tem um pequeno excesso que são as constantes dramatizações, mas em certo ponto elas se fundem à perfeição ás imagens de arquivo numa narrativa fluida e crescente. Petit é um personagem cheio de vida e desejoso de atenção, o que consegue com suas perfomances de equilibrista. No filme ele se junta a sua equipe, um bando de jovens loucos e irresponsáveis o suficiente para embarcar num plano que envolve falsificação de documentos, invasão de propriedade privada, e o pior, tudo isso para que Petit caminhe (e se deite) como se flutuasse a 460 metros de altura.
Poderia esticar este texto longe, comentando das atrapalhadas escapadas da segurança do prédio, ou mesmo falando de como o filme acaba prestando um belo tributo às torres que desabaram em 2001. Mas o filme é curto e vale a pena assistir, daí contar mais do que isso é ir tirando aos poucos a graça suspensa que existe na obra. Além disso estou com preguiça.
Belo filme este ganhador do Oscar 2009 de melhor documentário. Não se enganem com o trailer policialesco que posto abaixo.