2009 COMEÇA AGORA
E não é que 2009 chegou. Falta um ano pra 2010 e os carros voadores que minha cabeça calculava para este ano ainda não apareceram em nenhum lugar. Mas o ano começou.
E foi com esse espírito que invadi madrugada assistindo o Globo de Ouro, que se revelou uma cerimônia surpreendente, ousada e que me traduziu o estado de espírito em que retorno a Palmas e a vida daqui.
Só alegria ver 30 Rock levar tudo. Essa série evolui como trama, sem perder no nonsense. Daqui umas décadas, que nos tempos de hoje se resolvem em uns 8 anos, 30 rock será lembrada como conservadora e tradicional, apesar de agora parecer justamente o contrário. Tina Fey é cirúrgica em seu texto e é difícil o público feminino não se enxergar em sua Liz Lemmon. Prêmios pra série, pra Tina como atriz e Alec Baldwin como ator, provando com sobras que a televisão é lugar de excelência sim.
No cinema, tudo conspirou para o meu ótimo humor, mesmo com sono.
Heath Ledger levou um globo de ator coadjuvante por seu Coringa. Nada mais justo. Ganhou porque criou um ícone do cinema que será lembrado para sempre (mais uns 20 anos) tal qual Rocky, Tony Manero, Hannibal Lecter, Vito Corleone.
Daí começam as (boas) surpresas.
Slumdog Milionaire, do irregular-mas-acima-da-média Danny Boyle (Cova rasa, Traisnpotting), levou os fundamentais prêmios de direção e filme. Filmado em Bombain e falado em um terço no idioma local, o longa acompanha um game-show onde um pobre garoto pode virar milionário, e de como cada resposta se relaciona com eventos da sua breve vida. (Nessas horas começo a ficar tenso pensando quando um filme desses vai chegar aqui em Palmas)
Melhor do que isso foi ver Mickey Rourke ressurgir das cinzas com o prêmio de melhor ator por seu trabalho em The Wrestler, onde faz um daqueles caracterizados personagens da luta livre buscando reunir os cacos de sua vida pessoal. O seu discurso de aceitação foi honesto, emocionado e divertido.
Curioso foi ver Benjamin Button sair de mãos abanando. Claro que o Globo de Ouro não é um termômetro dos mais certeiros para o Oscar, contrariando o senso comum e as transmissões sofríveis da TV aberta. Isso é coisa para os prêmios de sindicato e neles o longa de David Fincher com Brad Pitt vai bem obrigado.
Pra completar, Kate Winslet, uma das melhores atrizes da história do cinema (duvida, puxe a lista de filmes dela, o número de indicações, os diretores com quem trabalhou e me contradiga), saiu com dois globos de melhor atriz, deixando a concorrência a ver navios enquanto subia numa sincera emoção para agradecer seu amigão Di Caprio e o maridão talentoso Sam Mendes (Beleza Americana) que dirigiu os dois na adaptação de Revolutionary Road.
Três da manhã. Resolvo dormir. Daí começa I´m not there, com nada mais, nada menos que Heath, Cate Blanchet, Cristian Bale, Richard Gere e mais um monte de gente que tinha acabado de ver no Globo de Ouro. Todo mundo fazendo o Bob Dylan. E minha noite de sono vai pro espaço.
2009 acabou de começar.
Escrito por andre às 20h58
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