RESOLUÇÕES DE ANO-NOVO
Todo dia me amedronta pensar para onde vai o cinema. Quando digo cinema, digo a estrutura física, a sala escura, climatizada, de tela grande, som alto e bem equalizado. É que volta e meia essa experiência parece ameaçada pelas novas tecnologias. Meia volta também nos mostra que a evolução tecnológica alimentou um novo cinema, mais barato e mais humano, ouso apelar. Em todos os aspectos o cinema parece padecer de uma antiguidade intrínseca, parece sempre para essa nova geração, como uma coisa do passado, como o rádio (que descobri fazendo) para a minha geração, ou seja, quem se entendia por gente lá pelos anos oitenta. A experiência de aguardar um filme, de ir na primeira sessão, da sensação de imersão na história.
Os filmes não mudaram, as platéias sim.
Assisti o novo Indiana Jones em uma sala de cinema minimente razoável. O filme é idêntico aos anteriores e eu não me empolguei. EU mudei, o Dr. jones continua o mesmo. E as mentes mais fáceis de se deslumbrar chegaram a essa época em que a imagem se pixelizou e se espalhou. EM nome da velocidade e do custo aceitamos a baixa resolução de imagem sem maiores problemas. Youtube, celular, cibershots, webcams e afins compõe um novo móbile de captaçao audiovisual, ondea mensagem atropela a resolução. Sim, existe o blue-ray, mas este só vai limpar ranhuras que ainda não enxergmos nos DVD´s. Eu falo da experiência cinematográfica. E foram tantas que eu só tive em VHS. Filmes que me marcaram em VHS, que me motivaram e inspiraram constantemente nas inúmeras repetições que o video permite. Que estrago teriam feito sendo vistos somente umas duas, vá lá 3 vezes num bela sala de cinema? Que marcas deixariam esses filmes jogando em casa, em sua plataforma de direito? E o que esperar do cinemão nos tempos de videostream?
Restauro minha esperança ao assistir o desespero com que se gastou na produção de "O cavaleiro das trevas", o novo filme da franchising Batman.
Uma preocupação com o realismo tão absurda que todas as sequencias de ação, elaboradíssimas diga-se en passant, que fez a equipe trabalhar com cameras Imax, simplesmente a maior resolução possível em uma pelicula. Para se ter uma idéia, a tela de projeção desse sistema pode ter até 12 metros... de altura!!! Mas não é só isso. Milhões foram gastos em explosões que derrubam prédios inteiros, caminhões que se reviram em plena locação na cidade, dublês que fazem saltos pendurados em helicópteros. Minha querida tati key até reclamou que não precisava um roteiro amarrado assim num filme do Batman. E por aí vai.
Todo esse cuidado com o "realismo" do filme, somado à resolução absurda que o Imax proporciona (ainda que seja um efeito Kuleshov esquisito, pois enxergo a diferença em dvd e enxergaria em Betacam se fosse necessário) funciona.
Daí fico pensando: que estrago esse filme faria se eu assistisse num cinema Imax?
Escrito por andre às 21h50
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