Recorrentemente me acusam de ser anarquista. A verdade é que pouco me inspira a anarquia, mas muito menos "isso tudo que esta aí". No excelente texto em sua página na Veja, um tanto desviado do momento, mas ainda assim certeiro, Roberto Pompeu de Toledo tece um compêndio dos clichês jornalísticos praticados atualmente na tal grande mídia. Naquela frase em destaque com fonte maior lê-se: "Ô produtor de telejornal, meu semelhante, meu irmão: de tanto caprichar na reconstituição da realidade, não estarias criando uma obra de ficção?"(Assinantes leem Roberto Pompeu de Toledo aqui). O real anda cada vez misterioso e maquiado. Poderia falar do PAC e seus números nebulosos. Poderia falar da matreira utilização da saúde da ministra por todos os lados. Mas prefiro falar de uma coisa boa pra variar. A exceção da regra do jornalismo empoado está no quixotesco cacoete de Danilo Gentilli em ser racional no mundo de fantasia que é essa hollywood do cerrado chamada Brasília.
Comédia é timming. E isso vale também em visão macro. Os caras do Casseta já foram bem mais do que um Video Show de humor. Aliás, foram muito mais do que paródias de novelas e piadas requentadas. Em seu tempo eram revolucionários e ousados. Hoje são datados e simplistas. O CQC incomoda tanto porque opera exatamente onde o jornalismo começa a pecar. Na realidade. O total desprezo pela formalidade imposta, forçada e atrasada. A falta de compromisso com a maquiagem televisiva dos pseudos-tudo (celebridades, jornalistas, apresentadores, escolha o seu) e, principalmente pela exposição daquilo que nós fingimos não ver e que Gentilli se esbalda em expor toda segunda: nossos representantes, e boa parte dos que os cercam, são os mais despreparados, corporativistas, egocêntricos, volúveis, arrogantes, arbitrários e delirantes seres que poderiam estar ocupando as funções que ocupam. E isso sem maquiagem. O timming é perfeito, tanto de Gentilli, como do CQC como um todo. E isso informa muito mais sobre quem são essas pessoas e do que elas são feitas do que as entrevistas protocolares e combinadas com a Globo News pode fazer em 10.000 edições.
ALô, alô Terezinha!! Avisa que tudo se copia nessa caixa de fazer doido.
Ernesto/Marcelo Varella/Tas já fez. Bussunda e cia já fizeram. Chico Anysio já fez.
De passagem pelo Salão do Livro do Tocantins (fontes me informam que incríveis 8 ingressos sobraram para o público na fila, sendo o resto distribuido fartamente entre amigos e órgãos do estado) o jornalista/performer Marcelo Tas desembocou no Telinha de Cinema, onde para seu espanto, se faz cinema com celular. Espanto dele, não da turma do Tocantins que já conta com este projeto a uns bons 3 anos de muito cinema na veia da molecada (hum... "cinema na veia da molecada". politicamente incorreto? hoje em dia tudo o é).
A visita mereceu post elogioso e foto com a galera. Se é que é preciso linkar Marcelo Tas, linko.
Exibir um filme é complicado. Exibir um curta mais ainda. Exibir um documentário curta é quase ofensa pessoal ao público. Mas com jeito e graça a turma de Imperatriz vem circulando o curta "3 reais", do multi-Antônio, o Fabrício. O curta vem sendo exibido em locais como a UFMA e tem conquistado a platéia, segundo me informam as comprometidas fontes que me informam. O filme conta a história de 3 corridas de mototáxi, cada uma traz em seu piloto, o personagem que vai esclarecendo a vida dentro dessa profissão que movimenta quase todo o transporte público de Imperatriz. Com proposta bem definida, o filma acompanha essas histórias da posição do passageiro e, literalmente, do seu ponto de vista.
Eu vi a cópia pirata do Wolverine. E daí? Qual é? Qual foi? Por que que tu ta nessa?
Jamais pagaria um quilo de picanha pra ir ver no cinema. Jamais pagaria duas latinhas de cerveja para alugar em uma locadora. Mas, quando me oferecido como empréstimo, ainda que pirata, aceitei. Se tratava de uma versão não finalizada, com algumas partes literalmente faltando, efeitos em estágio inicial de processamento, cabos expostos por todo lado, enfim, uma obra longe de estar acabada. Mesmo assim assisti. O filme em si despertou em mim dois tipos de sentimento. O primeiro um legítimo interesse na parte técnica de um filme. Foi bastante pedagógico ver um filme com algumas etapas em desenvolvimento. Foi quase um “making of” involuntário.
O segundo sentimento foi de bode. Bode porque os roteiristas abusam de nossa confiança, mesmo quandojá sabemos que seremos abusados, como no caso de uma realidade onde mutantes superpoderosos andam por ai se sentindo marginalizados. Não se vê nenhuma mutação que não resulte em poderes superbacanas. A última mutação que vimos, a tal gripe suína, anda assustando meio mundo. Nada menos que três vírus se juntaram numa orgia alérgica e deram cria ao animalzinho nervoso que mata chicanos. Mais ou menos como o Wolverine. Aparentemente sua mãe se juntou numa farra com um lobisomem, um catitu e um vidro grande de antiinflamatório, que gerou o meio homem, meio lobo, de garras retráteis e que se cura de qualquer porrada rapidinho.
VOLVERINE COM V????
Estranhos esses mutantes. Esses olhos vermelhos do Ciclope não me enganam. Quantos vidrinhos de colírio ele já pulverizou tentando clarear as córneas vermelhas de Fênix?? A gracinha instável da Tempestade teria melhor uso fazendo chover no sertão do quedando choque em vilão linguarudo. E o filme do Wolverine, pirata ou não, é nada mais nada menos que este final de post. Uma pequena bobagem.
Quando Philip Petit transefere o peso do seu corpo do pé direito, que se encontra no topo do World Trade Center, para o esquerdo, apoiado num cabo de aço conectado à segunda torre, todos os presentes prendem a respiração. E os espectadores do enxuto e empolgante filme “O equilibrista” (Mano on wire) sentem o mesmo. E olha que estes já sabem que ele sai dali ileso. Mas sua façanha é algo tão despropositado, tão sem lógica e tão arriscado, que é daí que surge a sua beleza.
Dirigido por James Marsh, o filme tem um pequeno excesso que são as constantes dramatizações, mas em certo ponto elas se fundem à perfeição ás imagens de arquivo numa narrativa fluida e crescente. Petit é um personagem cheio de vida e desejoso de atenção, o que consegue com suas perfomances de equilibrista. No filme ele se junta a sua equipe, um bando de jovens loucos e irresponsáveis o suficiente para embarcar num plano que envolve falsificação de documentos, invasão de propriedade privada, e o pior, tudo isso para que Petit caminhe (e se deite) como se flutuasse a 460 metros de altura.
Poderia esticar este texto longe, comentando das atrapalhadas escapadas da segurança do prédio, ou mesmo falando de como o filme acaba prestando um belo tributo às torres que desabaram em 2001. Mas o filme é curto e vale a pena assistir, daí contar mais do que isso é ir tirando aos poucos a graça suspensa que existe na obra. Além disso estou com preguiça.
Belo filme este ganhador do Oscar 2009 de melhor documentário. Não se enganem com o trailer policialesco que posto abaixo.
No sábado fui procurar a repercussão do show no Rio de janeiro e o que encontrei foram boas resenhas, mas nada muito impressionante. Los hermanos, ok. Kraftwerk, ok. Radiohead, ok plus.Apenas um sacrilégio. O Radiohead não tocou Fake plastic Trees, clássico da banda no Brasil e que se tornou hit depois de servir de trilha para um (bom) comercial da APAE. Você lembra... é a música do Carlinhos.
Sigo pela Dutra depois de passar o sábado no Vale do Paraíba conde assisti um ótimo show do Trem da Viração, banda craque num show regional que me fez pensar porque isso acontece tão pouco aqui em Palmas. Lugar bucólico e som de primeira. Na estrada, busco nas rádios mais informações do festival. Trânsito, horários (o canal Multishow, muito matreiramente anunciou o show dos Los Hermanos as 20 horas ao vivo, sendo que o mesmo começou as 18:30 pontualmente).Chegando perto da chácara do Jockey o clima começou a mudar. Tanto o metereológico (começou a fechar o céu e a garoar) , quanto o do estado de espírito das pessoas. Trânsito aumentando, multidão nas calçadas apressando o passo, confusão e tudo aquilo que se espera de uma entrada de um grande show. Houve quem reclamasse da organização. Eu cheguei a tempo, com ingresso comprado, estacionei no local oficial e paguei sem nem olhar pra trás. Lá fora cambistas e guardadores de carro inflacionavam o mercado.
Na curva para o estacionamento escuto o Los Hermanos dar os primeiros acordes. Olhei para minha companheira (minha linda e uniúda Aline) e a cara dela foi definitiva: teríamos que correr. Do estacionamento até o extenso gramado da chácaralevamos uns 10 minutos, coisa de duas músicas e daí foi só curtir aquela banda que tanto gostamos e que talvez nunca mais toque ao vivo outra vez:Los hermanos. Tudo conspirava para um show apoteótico, mas alguém esqueceu de avisar a banda. Num show acanhado e curtíssimo, os barbudos conseguiram abalar um clima de festa tocando o burocrático e num pressa sem fim de ir embora logo. Espero que Rodrigo Amarante agora compre seu apartamento e pare de tocar como uma maquina caça-níquel.
Pausa rápida e fomos buscar nossa posição definitiva pro que vinha a seguir, afinal, a coisa tava lotando (30 mil pessoas) e uma vez parado tínhamos que fincar raízes e, depoisde umarápida conferência, fincamos os pés de onde só sairíamos horas depois. Veio o Kraftwerk e fez um show pra lá de interessante com sua música robótica e concretista.
Bom.
Daí veio o Radiohead. E a noite nunca mais seria a mesma. A noite nunca mais seria esquecida por quem estava lá.
“15 steps” do mais recente álbum“In rainbows” (que serve de base pro show) abriu um espetáculo de luzes e cores que hipnotizou todos nos primeiros instantes. O cenário do palco, com grandes tubos prateados descendo de cima, que servem de iluminação, efeitos, telão e ainda seguram diversas câmeras transmitindo detalhes de cada músico prosdois grandes telões ao lado do palco. A cada música as reações iam ficando mais exaltadas e as pessoas começavam a perceber que estar ali era um momento único.“House of cards” pôs todo mundo pra beijar e “ Bodysnatchers” pra pular. De repente surge “Paranoid Android”, hino do elementar álbum “Ok computer” e tudo vira celebração. As pessoas cantam juntos com Tom Yorke “rain down, come on rain down on me” enquanto no palco uma chuva de luzes desse dos tubos. A banda ainda toca fogo no bairrismo quando Tom pega um violão e, ao conferir a afinação, solta a primeira nota de “Fake Plastics trees”. Uma voz grita tão alto o nome da música que chama a atenção do vocalista que responde em concordância “Oh Yeahs!”.Ao meu lado uma garota quase em transe dedica a música aos cariocas. O show atravessa toda a palheta de cores e as imagens do telão oferecem detalhes do palco, como Yorke ao piano com seu olho esbugalhado cantando “Videotape”.
Duas horas e 15 mais tarde, depois de dois bis a banda retorna mais uma vez e finaliza com “Creep”, música responsável pelo estouro do Radiohead. A essa altura vi pessoas chorando, sorrindo, apaixonadas (como eu), fazendo air guitar de olhos fechados. Tudo isso por um show perfeito, com uma banda que toca ao vivo como poucas e que deve ter deixado Marcelo Camelo dentro dos camarins pensando que roubada foi tocar antes desses caras.
Acima um dos melhores momentos captados por um dos que saíram de lá num silêncio simplesmente por não ter o que falar.
Demorei uns dias para iniciar este texto sobre o evento chamado Just a Fest, que aconteceu no Rio de Janeiro na sexta, dia 20 de março, e na chácara do jockey em São Paulo, no domingo, dia 22. Na programação shows com a velha guarda da música eletrônica, os alemães do Kraftwerk, abertura dos Los Hermanos, numa aguardada pausa na pausa que eles estão dando e a grande atração, o grupo inglês Radiohead.
E aqui começa a nossa história.
No sábado fui procurar a repercussão do show no Rio de janeiro e o que encontrei foram boas resenhas, mas nada muito impressionante. Los hermanos, ok. Kraftwerk, ok. Radiohead, ok plus.Apenas um sacrilégio. O Radiohead não tocou Fake plastic Trees, clássico da banda no Brasil e que se tornou hit depois de servir de trilha para um (bom) comercial da APAE. Você lembra... é a música do Carlinhos.
Sigo pela Dutra depois de passar o sábado no Vale do Paraíba conde assisti um ótimo show do Trem da Viração, banda craque num show regional que me fez pensar porque isso acontece tão pouco aqui em Palmas. Lugar bucólico e som de primeira. Na estrada, busco nas rádios mais informações do festival. Trânsito, horários (o canal Multishow, muito matreiramente anunciou o show dos Los Hermanos as 20 horas ao vivo, sendo que o mesmo começou as 18:30 pontualmente).Chegando perto da chácara do Jockey o clima começou a mudar. Tanto o metereológico (começou a fechar o céu e a garoar) , quanto o do estado de espírito das pessoas. Trânsito aumentando, multidão nas calçadas apressando o passo, confusão e tudo aquilo que se espera de uma entrada de um grande show. Houve quem reclamasse da organização. Eu cheguei a tempo, com ingresso comprado, estacionei no local oficial e paguei sem nem olhar pra trás. Lá fora cambistas e guardadores de carro inflacionavam o mercado.
Na curva para o estacionamento escuto o Los Hermanos dar os primeiros acordes. Olhei para minha companheira e a cara dela foi definitiva: teríamos que correr. Do estacionamento até o extenso gramado da chácaralevamos uns 10 minutos, coisa de duas músicas e daí foi só curtir aquela banda que tanto gostamos e que talvez nunca mais toque ao vivo outra vez:Los hermanos. Tudo conspirava para um show apoteótico, mas alguém esqueceu de avisar a banda. Num show acanhado e curtíssimo, os barbudos conseguiram abalar um clima de festa tocando o burocrático e num pressa sem fim de ir embora logo. Espero que Rodrigo Amarante agora compre seu apartamento e pare de tocar como uma maquina caça-níquel.
Pausa rápida e fomos buscar nossa posição definitiva pro que vinha a seguir, afinal, a coisa tava lotando (30 mil pessoas) e uma vez parado tínhamos que fincar raízes e, depoisde umarápida conferência, fincamos os pés de onde só sairíamos horas depois. Veio o Kraftwerk e fez um show pra lá de interessante com sua música robótica e concretista.
Férias? Já fui e voltei. Carnaval?Já carnavei. Semana santa parece longe.
Então melhor voltar aos posts antes que os selecionados (praticamente por mim mesmo) leitores desse blog alcancem a puberdade do Sr. Button.
Para marcar a volta aos post´s, a mlehor surpresa de 2008.
A adorável Zoey Deschannel sobra nesse curioso clip da irresistivel Why do you let me stay here, canção de She & Him, de longe o melhor Little Joy do ano passado.
Hoje no programa Opinião em Debate surgiu a conversa sobre o que se espera da TV Pública.
COmentamos da grade local e acertos e erros que cada um enxerga.
Zapeando pela programação infantil vejo desenhos militarizados, ou aqueles animés que definitivamente não me ganham. Apresentadores mirins (uns até pré-mirins) idiotizam até um adulto que perde preciosos segundos entendendo aquela coisa toda.
Daí vejo a Vila Sésamo lá do "estrangeiro".
Quanto a televisão local, uma TV pública gerida por uma fundação de ensino lembramos que:
Informação não é só jornalismo, por mais bem feito que seja.
Educação não é só teleaula, por mais bem feita que seja.
Adaptei porcamente a frase que Mickey Rourke usou no seu discurso de agradecimento para fazer uma analogia distante e errônea sobre Marley & eu, filme hit do natal americano (a segunda data mais concorrida, depois do 4 de julho que "abre" o verão dos dudes.
A carreira de Rourke é de conhecimento público e passa por um previsível início promissor, trabalhos elogiados em filmes Cult, um pornô softcore com Kim Basinger que durou mais que 9 semanas, uma série de enganos alcoólicos, cirúrgicos, estéticos e, claro, artísticos, inclusive um pornô nem tão soft. Em suas próprias palavras, estava praticamente fora do ramo cinematográfico. Sou da idéia de quem perde muito sofre mais do que quem perde muito. Rourke perdeu muito ao longo das duas últimas décadas. Credibilidade, beleza, dinheiro, amigos, saúde e, ao que indicava, até o talento. Na sua improvável, mas agradável volta, Mickey subiu ao palco do Globo de Ouro visivelmente surpreso e se lembrou de agradecer aos seus cães. Não só aos que possui agora, mas todos que teve ao longo da vida.
Talvez isso explique o tamanho sucesso do labrador aparvalhado e desastroso. Marley capta exatamente, ainda que em cores bem bonitinhas tipo Disney, a noção de que às vezes, tudo que o homem é o seu cachorro (no meu caso, cachorros).
E não é que 2009 chegou. Falta um ano pra 2010 e os carros voadores que minha cabeça calculava para este ano ainda não apareceram em nenhum lugar. Mas o ano começou.
E foi com esse espírito que invadi madrugada assistindo o Globo de Ouro, que se revelou uma cerimônia surpreendente, ousada e que me traduziu o estado de espírito em que retorno a Palmas e a vida daqui.
Só alegria ver 30 Rock levar tudo. Essa série evolui como trama, sem perder no nonsense. Daqui umas décadas, que nos tempos de hoje se resolvem em uns 8 anos, 30 rock será lembrada como conservadora e tradicional, apesar de agora parecer justamente o contrário. Tina Fey é cirúrgica em seu texto e é difícil o público feminino não se enxergar em sua Liz Lemmon. Prêmios pra série, pra Tina como atriz e Alec Baldwin como ator, provando com sobras que a televisão é lugar de excelência sim.
No cinema, tudo conspirou para o meu ótimo humor, mesmo com sono.
Heath Ledger levou um globo de ator coadjuvante por seu Coringa. Nada mais justo. Ganhou porque criou um ícone do cinema que será lembrado para sempre (mais uns 20 anos) tal qual Rocky, Tony Manero, Hannibal Lecter, Vito Corleone.
Daí começam as (boas) surpresas.
Slumdog Milionaire, do irregular-mas-acima-da-média Danny Boyle (Cova rasa, Traisnpotting), levou os fundamentais prêmios de direção e filme. Filmado em Bombain e falado em um terço no idioma local, o longa acompanha um game-show onde um pobre garoto pode virar milionário, e de como cada resposta se relaciona com eventos da sua breve vida. (Nessas horas começo a ficar tenso pensando quando um filme desses vai chegar aqui em Palmas)
Melhor do que isso foi ver Mickey Rourke ressurgir das cinzas com o prêmio de melhor ator por seu trabalho em The Wrestler, onde faz um daqueles caracterizados personagens da luta livre buscando reunir os cacos de sua vida pessoal. O seu discurso de aceitação foi honesto, emocionado e divertido.
Curioso foi ver Benjamin Button sair de mãos abanando. Claro que o Globo de Ouro não é um termômetro dos mais certeiros para o Oscar, contrariando o senso comum e as transmissões sofríveis da TV aberta. Isso é coisa para os prêmios de sindicato e neles o longa de David Fincher com Brad Pitt vai bem obrigado.
Pra completar, Kate Winslet, uma das melhores atrizes da história do cinema (duvida, puxe a lista de filmes dela, o número de indicações, os diretores com quem trabalhou e me contradiga), saiu com dois globos de melhor atriz, deixando a concorrência a ver navios enquanto subia numa sincera emoção para agradecer seu amigão Di Caprio e o maridão talentoso Sam Mendes (Beleza Americana) que dirigiu os dois na adaptação de Revolutionary Road.
Três da manhã. Resolvo dormir. Daí começa I´m not there, com nada mais, nada menos que Heath, Cate Blanchet, Cristian Bale, Richard Gere e mais um monte de gente que tinha acabado de ver no Globo de Ouro. Todo mundo fazendo o Bob Dylan. E minha noite de sono vai pro espaço.
Todo dia me amedronta pensar para onde vai o cinema. Quando digo cinema, digo a estrutura física, a sala escura, climatizada, de tela grande, som alto e bem equalizado. É que volta e meia essa experiência parece ameaçada pelas novas tecnologias. Meia volta também nos mostra que a evolução tecnológica alimentou um novo cinema, mais barato e mais humano, ouso apelar. Em todos os aspectos o cinema parece padecer de uma antiguidade intrínseca, parece sempre para essa nova geração, como uma coisa do passado, como o rádio (que descobri fazendo) para a minha geração, ou seja, quem se entendia por gente lá pelos anos oitenta. A experiência de aguardar um filme, de ir na primeira sessão, da sensação de imersão na história.
Os filmes não mudaram, as platéias sim.
Assisti o novo Indiana Jones em uma sala de cinema minimente razoável. O filme é idêntico aos anteriores e eu não me empolguei. EU mudei, o Dr. jones continua o mesmo. E as mentes mais fáceis de se deslumbrar chegaram a essa época em que a imagem se pixelizou e se espalhou. EM nome da velocidade e do custo aceitamos a baixa resolução de imagem sem maiores problemas. Youtube, celular, cibershots, webcams e afins compõe um novo móbile de captaçao audiovisual, ondea mensagem atropela a resolução. Sim, existe o blue-ray, mas este só vai limpar ranhuras que ainda não enxergmos nos DVD´s. Eu falo da experiência cinematográfica. E foram tantas que eu só tive em VHS. Filmes que me marcaram em VHS, que me motivaram e inspiraram constantemente nas inúmeras repetições que o video permite. Que estrago teriam feito sendo vistos somente umas duas, vá lá 3 vezes num bela sala de cinema? Que marcas deixariam esses filmes jogando em casa, em sua plataforma de direito? E o que esperar do cinemão nos tempos de videostream?
Restauro minha esperança ao assistir o desespero com que se gastou na produção de "O cavaleiro das trevas", o novo filme da franchising Batman.
Uma preocupação com o realismo tão absurda que todas as sequencias de ação, elaboradíssimas diga-se en passant, que fez a equipe trabalhar com cameras Imax, simplesmente a maior resolução possível em uma pelicula. Para se ter uma idéia, a tela de projeção desse sistema pode ter até 12 metros... de altura!!! Mas não é só isso. Milhões foram gastos em explosões que derrubam prédios inteiros, caminhões que se reviram em plena locação na cidade, dublês que fazem saltos pendurados em helicópteros. Minha querida tati key até reclamou que não precisava um roteiro amarrado assim num filme do Batman. E por aí vai.
Todo esse cuidado com o "realismo" do filme, somado à resolução absurda que o Imax proporciona (ainda que seja um efeito Kuleshov esquisito, pois enxergo a diferença em dvd e enxergaria em Betacam se fosse necessário) funciona.
Daí fico pensando: que estrago esse filme faria se eu assistisse num cinema Imax?
Sò melhora a Mostra de cinema e video de Miracema.
Na edição deste ano, público presente em todos os dias, superlotando o auditório. O MIRAGEM é daqueles eventos que tem alma. O povo entra de cabeça, lota, assiste, critica. E o som é porrada. AH... a tal alma tem nome e sobrenome: Cássio Cerqueira.
Para minha felicidade, Enfim Sós foi muito bem recebido e levou um premio de melhor documentário.
Segue abaixo as informaçõe direto da fonte. Senhoras e senhores, ele, o resultado:
Vencedores
1º Festival Videoclipes Independentes de Miracema:
Melhor Videoclipe Independente Nacional:
Piada Cruel – banda Charme Chulo (Curitiba-PR - 2008/destilaria do Audiovisual);
Melhor Videoclipe Independente Tocantinense:
Carta ao 26 – banda Criticos Loucos (Palmas-TO – 2008, de Caio Brettas/ Trade Rock).
Mostra Competitiva:
·Melhor filme da Mostra – Júri Popular
A Dois Passos do Paraíso – de Alan Russel
(Miracema-TO).
·Melhor Filme Ficção – Júri Popular
Tempo de ira – de Marcela Cartaxo e Gisela de Mello
(Rio de Janeiro - RJ).
·Melhor Filme Animação – Júri Popular
EngoleDuasErvilhas – de Marão, Diego Stoliar, Alessandro Monnerat, Eduardo Perdido, Thomas Larson, Pedro Iuá, Rosaria.